Proteção digital para crianças e adolescentes: por que pais e escolas devem atuar juntos

Promover a educação digital e estabelecer limites é saudável e essencial para a segurança.


Com o aumento exponencial do uso de dispositivos digitais, monitorar a vida online das crianças e adolescentes tem se tornado cada vez mais desafiador para pais e educadores. Recentemente, dois acontecimentos chamaram atenção para a necessidade de se prestar mais atenção a esse aspecto: o caso de uma criança que gastou R$ 40 mil em jogos online; e o anúncio de uma nova política de segurança para adolescentes no Instagram, com previsão de implementação para 2025.


Compras descontroladas

Em três dias, uma criança de apenas 8 anos gastou R$ 40 mil em compras dentro de games populares, como Roblox e Free Fire. O caso viralizou nas redes sociais e trouxe à tona um alerta: é preciso haver supervisão parental constante em tempos de jogos digitais com microtransações.


De acordo com a reportagem do Jornal Metrópoles, até o fechamento deste texto, o pai da criança ainda não havia conseguido obter o estorno das plataformas. Tal evento é somente um exemplo dos riscos do acesso desprotegido a dispositivos e a dados financeiros de pais e responsáveis.


Mas, afinal, o que pode causar situações como essa?


  • Falta de controle parental: a criança tinha acesso irrestrito ao celular e ao cartão de crédito do pai, então conseguiu fazer suas compras com facilidade.
  • Configurações de segurança inadequadas: o dispositivo não tinha restrições para transações financeiras, e os pais não acompanhavam de perto o uso dos aplicativos pelo filho
  • Incentivo ao consumo in-app: hoje em dia, muitos jogos oferecem itens e atualizações atraentes – as compras são praticamente irresistíveis para as crianças.
  • Desconhecimento sobre o valor do dinheiro digital: muitos jogos têm suas próprias moedas, que não têm um valor claro para as crianças. A dificuldade em associar o dinheiro virtual ao real torna o processo de gastar algo bem abstrato.

Os casos de compras online descontroladas por crianças não são isolados e mostram a relevância da adoção de medidas de segurança pelos pais e responsáveis. Para isso, existem opções de controle parental nos dispositivos e configurações para limitar compras in-app; o essencial, porém, é conversar com os filhos sobre o valor do dinheiro e ensinar desde cedo a diferença entre o real e o digital.


Segurança para adolescentes no Insta

Em resposta às crescentes preocupações com a segurança dos adolescentes, a mídia social Instagram anunciou novas políticas de segurança. De acordo com as informações, elas já serão implementadas em janeiro de 2025. O objetivo é proteger adolescentes da faixa entre 13 e 16 anos ao propiciar mais controle e segurança sobre suas contas e interações.



As principais medidas são:


  • Contas privadas por padrão: todas as novas contas de adolescentes criadas serão privadas para protegê-los de acessos indesejados.
  • Limites para Directs: apenas seguidores aprovados poderão enviar mensagens aos adolescentes. Isso reduz significativamente o risco de contato com desconhecidos.
  • Restrições de conteúdo sensível: serão aplicados filtros para bloquear conteúdos inadequados (como violência e procedimentos estéticos) no feed e na aba Explorar.
  • Silenciamento de notificações à noite: entre 22h e 7h, o Instagram vai silenciar automaticamente qualquer notificação para adolescentes – a ideia é promover um uso mais equilibrado da plataforma.
  • Controle sobre interações: somente seguidores aprovados poderão marcar adolescentes em postagens; além disso, os comentários serão filtrados para bloquear conteúdos ofensivos.
  • Aviso sobre o tempo de uso: o Instagram vai enviar um alerta após 60 minutos diários de uso para incentivar pausas.

Tais políticas representam um avanço importante na proteção digital para adolescentes, mas não solucionam o problema. Os algoritmos das plataformas continuam a priorizar o engajamento e expor conteúdos – muitas vezes nocivos – de acordo com interações prévias. Isso sem contar que nem todos os adolescentes conhecem os recursos de segurança e menos de 10% dos pais usam alguma ferramenta de controle parental.


O papel da educação digital

Embora as plataformas façam algum progresso em relação às políticas de proteção, pais e escolas devem participar ativamente na educação digital dos jovens. É possível trabalhar temas como privacidade, controle financeiro e segurança online para crianças e adolescentes compreenderem o impacto de suas ações no mundo digital.


A colaboração entre pais, escolas e plataformas digitais para educar e acompanhar as atividades dos jovens é a solução com maior potencial de transformação do atual cenário. Um entendimento mais aprofundado vai possibilitar aos jovens se preparar muito melhor para lidar com as complexidades do mundo online e usar a tecnologia de forma saudável e consciente.


Para ficar atualizado sobre práticas de segurança digital, acompanhe nosso blog com mais conteúdos sobre proteção online e formas de ensinar os jovens a navegar na internet com mais responsabilidade e conhecimento.

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